segunda-feira, 11 de maio de 2009

Consolidação de uma Fratura.

 Essa postagem foi retirada do livro "Tratamento e Reabilitação de Fraturas" dos autores Hoppenfeld e Murthy.
- É para todos os usuários que sofreram alguma fratura recentimente. Ao ler, terá uma idéia do que está ocorrendo em você neste exato momento.  


Consolidação óssea

- Dependendo do método escolhido pelo seu médico para o seu tratamento (Quadro 01), a consolidação óssea pode ser primária ou secundária.

- A consolidação óssea primária ocorre com o contato direto e íntimo entre os segmentos fraturados. O osso novo cresce diretamente através das extremidades  ósseas comprimidas, a fim de unir a fratura. A consolidação primária do osso cortical (camada mais externa e dura do osso) é muito lenta e não pode unir lacunas (espaço vazio) na fratura. Habitualmente a formação de calo ósseo (tecido que se refaz entre os fragmentos de osso fraturado e que os solda) ocorre aproximadamente duas semanas depois do momento da lesão. Esse é o único método de consolidação de fratura quando é realizada uma fixação rígida da fratura por compressão. A fixação rígida exige contato cortical direto e uma vascularização intramedular intacta. O processo de consolidação depende basicamente da reabsorção osteoclástica do osso, seguida pela formação osteoblástica de osso novo.
- A consolidação óssea secundária denota mineralização e substituição, por osso, de uma matriz cartilaginosa com um aspecto radiográfico característico de formação de calo. Quanto maior for a mobilidade no local da fratura, maior será a quantidade de calo. Esse calo de união externa aumenta a estabilidade no local da fratura, por aumentar a espessura do osso. Isso ocorre com a aplicação de um aparelho de gesso e fixação eterna, bem como com a aplicação de hastes intramedulares na fratura. Esse é o tipo mais comum de consolidação óssea

Para saber mais sobre tipos, classificação, entre outras coisas sobre fraturas acesse neste link da FisioWeb.

- Os três principais estágios de consolidação da fratura (Figura 01), conforme descrição de Cruess e Dumont, são (1) fase inflamatória (10%), (2) fase reparativa (40%), e (3) fase de remodelamento (70%). Essas fases se superpõem, e os eventos que ocorrem principalmente numa fase podem ter 
começado numa fase anterior.
- A duração de cada estágio varia, dependendo da localização e gravidade da fratura, lesões associadas, e idade do paciente.

A fase inflamatória dura aproximadamente 1 a 2 semanas. Inicialmente, a fratura incita uma reação inflamatória. O aumento da vascularização que envolve a fratura permite a formação de um hematoma de fratura, que em breve será invadido por células inflamatórias, como neutrófilos, macrófagos, e fagócitos. Essas células, inclusive os osteoclastos, funcionam de modo a eliminar o tecido necrosado, preparando o terreno para a fase reparativa. Radiograficamente, a 
linha de fratura pode torna-se mais visível à medida que vai sendo removido o tecido necrosado.

A fase reparativa habitualmente dura vários meses. Essa fase é caracterizada pela diferenciação de células mesenquimatosas pluripotenciais. O hematoma de fratura é então invadido por condroblastos e fibroblastos, que depositam a matriz para o calo. Inicialmente, forma-se um calo mole, composto principalmente de tecido fibroso e 
cartilagem com pequena quantidade de osso. 
Então, os osteoblástos são responsáveis pela mineralização desse calo mole, convertendo-o num calo duro de osso reticulado e aumentando a estabilidade da fratura. Esse tipo de osso é imaturo e fraco em termos de torque; portanto não pode ser submetido a estresse. União retardada e pseudartrose são decorrentes de erros nessa fase da consolidação óssea. A conclusão da fase reparativa fica indicada pela estabilidade da fratura. Radiograficamente linha de fratura começa a desaparecer. 

A fase de remodelamento, que leva de meses a anos para se completar, consiste em atividades osteoblásticas e osteoclásticas que resultam na substituição do osso reticulado desorganizado e imaturo por osso lamelar, organizado e maturo, o que aumenta ainda mais a estabilidade do local fraturado. Com o passar do tempo, o canal medular vai gradualmente sendo reformado. Ocorre 
reabsorção do osso das superfícies convexas e formação nova de osso nas superfícies côncavas. O 
processo permite alguma correção das deformidades angulares, mas não das deformidades rotacionais. Radiograficamente, é habitual que a fratura não seja mais visualizada.


Figura 01 - Estágios da Fratura

A - Fratura;
B - Alinhamento e redução da fratura;
C - Fase inflamatória;
D - Fase reparativa;
E - Fase de remodelamento.










- A questão que se deve levar em conta para sua reabilitação é: Saber em que estágio sua fratura está, para evitar uma descarga de peso precoce que possa vir a retarda sua recuperação. Procure um médico e o fisioterapeuta da sua confiança!


Quadro 01 - Princípios dos Dispositivos de Fixação.


Referência Bibliográfica

HOPPENFELD S. ;MURTHY V. L.Tratamento e Reabilitação de Fraturas. São Paulo: Manole, 2001.

6 comentários:

carol bb disse...

excelente material!!
me ajudou mt no estágio

Anônimo disse...

Esta de parabéns; E senti segurança do artigo apresentado por exibir referencias bibliográficas.

Anônimo disse...

Cuidado com os erros de português.
É recentEmente e não recentImente!

Anônimo disse...

Matéria muito boa. Estou lidando com uma fratura exposta e, já estou na faze final. Esta tudo dentro do artigo da matéria. Muito boa.

Anônimo disse...

Ótimo artigo, estou me recuperando de uma fratura no calcâneo e andava um pouco preocupado, esclareci uma grande dúvida, que não encontrei em dezenas de sites e que nem meu médico me explicou talvez por eu não ter me expressado direito. Bem referenciado e me deu bastante confiança. Parabéns ai ao autor! e Obrigado também.

Anônimo disse...

Estou há exatos 28 dias de uma cirurgia de fratura trimaleolar, com implantação de placa, pinos e parafusos. Não houve imobilização após a cirurgia. Fiquei feliz de ler que quanto maior a movimentação, maior a chance de calo ósseo. Há mais para se ler sobre amplitude de movimentos e formação de calo ósseo?
Das muitas coisas que já li na net, seu blog está e bastante esclarecedor. Lúcia